O Instituto Popular é uma organização que luta por uma transformação estrutural na sociedade brasileira criando condições para superar os problemas persistentes de nosso país, como a desigualdade, pobreza e falta de acesso a serviços básicos.
Acreditamos que essa tarefa é um desafio coletivo, nenhuma organização ou grupo de indivíduos poderá sozinhos avançar nesse sentido. É por isso que buscamos atuar de forma estratégica para darmos uma contribuição substantiva para essa tarefa.
Educação como foco
O principal foco do Instituto Popular é a educação. As concepções educacionais da sociedade capitalista são extremamente limitadas e danosas. A ideia de que a educação serve apenas ou principalmente para preparar as pessoas para uma posição no mercado de trabalho limita as capacidades humanas e afasta as pessoas da educação.
Hoje no Brasil, é residual o número de pessoas com mais de 25 anos que continuam estudando. A partir de 20 anos já ocorre uma queda vertiginosa com a maioria das pessoas deixando de estudar.
O ser humano tem a capacidade de aprender durante toda a vida. Aprender pode ser uma atividade prazerosa e é benéfica em todos os sentidos, tanto para as atividades produtivas como o desenvolvimento de nossas capacidades de maneira geral.
É por isso que nosso foco é recuperar a ideia já presente em filósofos como Paracelso, de que a educação é para a vida inteira, de fato ela continua acontecendo durante a vida de uma forma ou de outra, porque nossa própria experiência ensina, mas nosso potencial é muito maior.
O primeiro ponto de nossa proposta é promover a educação continuada. Flexibilizar os anos concentrados da educação formal, ao mesmo tempo que permita que a educação possa se coordenar com nossas atividades do dia-a-dia da melhor maneira possível. Para isso se interpõe dois obstáculos na sociedade capitalista: o afastamento da educação formal de nossas vidas e a falta de oportunidades.
Tornar a educação parte de nossas vidas
Para o jovem a educação formal se torna um fardo por ter sido transformada em obrigação. A concentração das atividades e a maneira distante da vida do estudante prejudica o envolvimento dele com as atividades educativas. A partir desse problema, oportunistas propõe uma “educação voltada para a vida real”, na verdade o que eles querem é aprofundar os problemas, excluir toda educação crítica, tudo que não seja útil para o MERCADO. Essas propostas tem um cunho extremamente ideológico e joga contra a vida das pessoas.
Proposmos que a educação se aproxime da vida das pessoas, mas não para sanar os problemas do capitalismo, e sim para ajudar as pessoas a se desenvolver. Precisamos de uma educação que forme melhores indivíduos, é óbvio que isso pode ter reflexos no acesso à renda, mas essa não pode ser o único objetivo.
Educação para todos, em todos os níveis
A falta de oportunidade é outro problema estrutural no capitalismo. Em qualquer sociedade hierárquica a melhor educação será apenas para um grupo específico, infelizmente esse é nosso caso. De fato, para as classes dominantes, cada estrato social deveria ser educado no mínimo preciso. É por isso que você jamais vai ver um projeto educacional geral.
As camadas mais baixas terão uma educação instrucional para que possa entrar o mais rápido possível para o exército de reserva, tendo as condições mínimas operativas para exercer uma função simples e alienante. Assim pressionará os salários para baixo e aceitará trabalhar por muito pouco.
Sucessivamente as camadas mais altas da sociedade terão uma educação um pouco melhor para poder cumprir a mesma função.
Hoje, com a proletarização da classe média, o ensino superior se massificou, mas isso não significa que a maioria vai ter acesso ao ensino superior, apenas que o que antes eram profissões de grupos restritos agora já formam uma massa de pessoas, o mínimo para o sistema poder controlar salários e evitar o corporativismo profissional contra os investidores.
Apesar disso, a educação de verdadeira alta qualidade continua sendo reservada a uma elite específica e vai muito além de uma mera passagem por uma boa faculdade ou pós-graduação. Sendo complementar.
Uma educação humanizadora
E o mais importante: em qualquer desses estratos você nunca vai ver uma educação humanizante, porque uma sociedade hierárquica está baseada sempre na ideia de que uns são melhores que outros, de que uns podem explorar os outros livremente, de que uns não merecem tanto quanto outros. Mesmo quando isso significa merecer condições humanas mínimas como moradia e alimentação.
Uma educação crítica voltada para o desenvolvimento
Outro tema que jamais vai fazer parte do “currículo” de nenhum estrato é o desenvolvimento. Muito se fala em desenvolvimento mas de um ponto de vista acrítico, desenvolvimento é sempre abstrato, “desenvolvimento do país” ou “crescimento do PIB”, e mesmo isso raramente aparece nos contextos formais.
O que há por trás disso é o fato de que o capitalismo é uma sociedade superprodutiva mas extremamente desigual, seu objetivo é gerar lucro e não verdadeiro desenvolvimento. De fato, se houvesse desenvolvimento em algumas áreas o que teríamos seria uma queda de lucro. Pense que se todos tivessem moradia o setor imobiliário teria enormes prejuízos.
Nossa estratégia
1. Construção do poder popular e uma democracia substantiva
Esses problemas estão ligados a própria estrutura do capitalismo e os interesses prevalecentes nessa sociedade. Por isso sua solução passa por uma transformação política que possa anular o poder desses interesses. É por isso que o Instituto Popular busca fazer parcerias e apoiar movimentos políticos de transformação. Contudo isso não basta.
A transformação também exige que criemos novas formas de nos relacionar e é justamente nesse aspecto que pretendemos atuar.
A transformação social exige que formas substantivas de participação e autonomia. Não podemos ficar esperando que o Estado ou os governos, os empresários ou partidos, ou pessoas com algum tipo de poder façam por nós o que apenas nós mesmo podemos fazer.
2. Máxima autonomia como princípio estratégico
Podemos explorar as relações e instituições prevalecentes em nossa estratégia, contudo, não podemos depender delas. O Instituto Popular coloca como objetivo das transformações a construção da autonomia. Não podemos ficar reféns de regras fiscais, orçamentos, táticas políticas, momento eleitoral, etc.
Se pensarmos bem tudo o que nós precisamos depende apenas de nosso trabalho. São os fetiches de nossa sociedade que acabam escondendo esse fato.
Por exemplo, é preciso uma faculdade para cursar um ensino superior. Defato sim, mas o que se esconde por trás disso de fato?
Aparamente o que permite que cursemos uma graduação é aquela instituição, mas isso é um fetiche institucional. Vejamos: o que precisamos dessa instituição de fato?
1. Seus marcos institucionais: seu nome, sua tradição, etc.
2. Suas normas institucionais: seus códigos, suas normas e estatutos.
3. Suas autorizações legais (dadas pelo Estado): seu projeto aprovado no MEC, sua condição legal de instituição educacional.
4. Sua infraestrutura, suas salas seus sistemas digitais, mesas carteiras, laboratórios etc.
5. Seus funcionários.
Tudo isso sim é necessário, mas o que é essencial para o processo de educação?
O trabalho dos funcionários em especial dos professores, pesquisadores etc. Sua formação, a matéria-prima do que é essencial na educação advém da própria educação.
E o resto? Tudo basicamente se resolve com trabalho.
Marcos e normas institucionais podem ser criadas, autorizações legais podem ser conseguidas, infraestrutura pode ser criada.
Se pensarmos inicialmente tudo parece muito difícil, mas se envolvermos uma massa de gente e não abdicarmos de lutar em outros campos e apoiar outras instituições que nos deem apoio, podemos construir tudo com nosso trabalho.
Não somos autonomistas
Não queremos dizer com isso que essa estratégia poderá construir um novo sistema educacional, certamente isso seria uma ilusão autonomista. Primeiro isso seria abdicar de todo o sistema educacional existente que é fruto exatamente de nosso próprio trabalho e precisamos muito dele! Segundo que precisamos atuar politicamente para deslocar aqueles que tem interesses no atual sistema e isso significa fazer uma luta política e, principalmente, apoiar organizações que tenham os mesmos interesses que nós e foquem nessa luta.
É a luta coletiva, tanto política quanto social, de forma plural que vai tornar possível que mudemos as estruturas de nossa sociedade.
Valorização nacional e projeto de país
O último ponto de nossa estratégia é um ponto essencial: precisamos de um projeto de nação!
Os poderosos da atualidade só tem um único objetivo, como já denunciou Cazuza: “sair do país com uma mala de dólares”. Para eles tanto faz se o país se desenvolve ou não, se as pessoas estão passando necessidade, ou se o meio ambiente está sendo destruído, pelo contrário, eles lucram muito com isso, em suas fazendas, em suas empresas de comunicação como Record e Globo, com seus cargos políticos, com suas mineradoras, tudo construído com o nosso trabalho.
Precisamos atuar na construção de um projeto nacional inclusivo, que valorize nossa cultura, que dê a mão aos nossos vizinhos que estão na mesma situação, que veja em cada indivíduo um potencial para fazer o país melhor e não um peso para o orçamento. Que veja em cada criança um futuro brilhante, como um trabalhador especialista, um artista que leve nossa cultura além, um esportista que nos traga orgulho, um filósofo, sociólogo, engenheiro, cantor, ator, escritor. Chega de ver nossas crianças com o desprezo que empresários e jornalistas da mídia oficial e empresarial veem.
Chamado, venha com a gente!
Lutamos por uma educação de qualidade, pelo fim da hierarquização por meio da educação, todos devem ter igual acesso e para tanto precisamos de um projeto de país, a educação não pode ser só um meio das pessoas ganharem mais dinheiro e tentarem ser melhores umas das outras, isso é um sistema ridículo de uma sociedade que pensa tudo como uma competição de gente infantilizada, mesquinha e inepta.
Nós brasileiros somos maiores do que eles! Nós queremos um país em que todos possam contribuir com o desenvolvimento, que superemos nossos problemas sociais e econômicos de uma forma unida! Todos podem contribuir, não precisamos de hierarquias, precisamos colocar essas hierarquias abaixo.
Precisamos de um projeto de país! Um Brasil com tecnologia, sem desigualdade social, com saúde pública gratuita e de qualidade. Com a valorização de nossa cultura e orgulho de nosso povo.
Chega de gente falando mal de nosso povo!
E para isso nós precisamos de mais vagas na universidade, precisamos de universidades melhores e com uma perspectiva verdadeiramente popular. Precisamos que essa educação atinja a todos seja pública e gratuita, com vaga PARA TODOS.
Chega da escola que não ouve o estudante e o professor, que são os mais interessados.
Mas não vamos ficar esperando, precisamos arregaçar as mangas e começar desde já, nem que seja de forma experimental. Essa é a proposta do Instituto Popular!
Junte-se a nós, traga sua ideia ou junte-se a uma de nossas frentes de trabalho.
